Há uma mudança silenciosa acontecendo no agronegócio brasileiro. Ela não está apenas nas máquinas, nas lavouras ou nos mercados. Está nas pessoas e na forma como as decisões estão sendo tomadas.
Cada vez mais mulheres e jovens têm demonstrado uma compreensão mais clara do seu papel dentro das organizações. Não apenas executando, mas organizando, planejando, decidindo e influenciando resultados.
Durante o Safratec 2026, realizado em Floresta, no Paraná, evento anual promovido pela Cocamar Cooperativa Agroindustrial e acompanhado pelo movimento Mulheres do Agronegócio Brasil pode se perceber o grau de consciência do agro na região norte do estado do Paraná.
Mais do que ouvir, o que se viu foi participação ativa, perguntas consistentes e interesse genuíno em compreender como a gestão se traduz, na prática, em sustentabilidade dos negócios.
Durante o encontro, a especialista em commodities, mitigação de riscos e estratégia de mercado Andrea Cordeiro conduziu uma palestra sobre protagonismo através da gestão, trazendo reflexões diretas sobre o momento atual do setor e participou de uma painel com Betto Alves que proferiu uma palestra sobre relações e comportamento.
Entre os pontos que mais despertaram atenção das participantes, alguns se destacaram.
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Gestão não é cargo, é prática diária e mitiga riscos
Muitas pessoas já fazem gestão sem perceber. Quando alguém organiza prioridades, acompanha custos, toma decisões de compra, negocia prazos ou resolve um problema operacional, está exercendo gestão. Reconhecer isso é o primeiro passo para assumir o próprio protagonismo. -
O agro ficou mais complexo e isso exige preparo
O ambiente atual exige leitura de mercado, disciplina financeira, planejamento e capacidade de adaptação. Produzir bem continua sendo essencial, mas já não é suficiente para garantir resultado. -
Decisões pequenas também constroem resultados grandes
Um resultado raramente é consequência de uma única decisão. Ele é construído por dezenas de escolhas ao longo do tempo, muitas vezes silenciosas, mas determinantes. -
Consciência de papel transforma comportamento
Quando uma profissional passa a entender o impacto do seu trabalho no resultado final, a forma de agir muda. Há mais atenção, mais responsabilidade e mais iniciativa.
Esse tipo de percepção e de ação tem se tornado cada vez mais comum em cooperativas, empresas e organizações do setor. E isso não acontece por acaso
Dados do IBGE indicam que cerca de 20% dos estabelecimentos rurais brasileiros já são dirigidos por mulheres, enquanto estudos do CEPEA mostram que elas representam mais de um terço da força de trabalho do agronegócio, com presença crescente em funções de gestão e administração.
Mas, mais importante do que os números, é a mudança de mentalidade que já pode ser percebida. O interesse por gestão, risco, mercado e planejamento deixou de ser um tema restrito a poucas áreas e passou a fazer parte das conversas do dia a dia.
O ambiente das cooperativas tem desempenhado um papel essencial nesse processo, criando espaços de aprendizado, troca de experiências e formação contínua, fortalecendo profissionais e preparando lideranças para um setor cada vez mais exigente.
O agro brasileiro sempre foi reconhecido pela sua capacidade produtiva. Agora começa a se destacar também pela evolução na forma de gerir.
O movimento Mulheres do Agronegócio Brasil acompanha e incentiva essa transformação, acreditando que conhecimento, consciência e preparo são pilares fundamentais para um setor mais forte, mais profissional e mais sustentável.
Encontros COM DEBATES como o realizado durante o SAFRATEC que trazem a luz abordam gestão para mitigar os riscos dos negócios de forma clara fazem parte de ações estratégica de empresas e cooperativas que desejam a perenidade e sustentabilidade de negócios.
Fortalecer equipes e preparar lideranças para um agro cada vez mais técnico e preparado é parte do legado que o setor através de seus players vem construindo. A formação de profissionais conscientes do seu papel e preparados para decidir deixou de ser tendência. Tornou-se uma necessidade real do setor e em todas as cadeias e segmentos.



