13 de julho de 2024

Guerra Comercial

Mas que semana intensa o mercado teve, digna de ser um das 3 com mais tensões de 2018 até agora!

Foram dias e pregões de muita intensidade e tensão e com desdobramentos mercados afora!

Os financeiros foram mundialmente bombardeados com o impacto da Guerra Comercial estabelecida pelos Estados Unidos.
Todos devem lembrar do furor que Trump causou ao tarifar há 2 semanas as importações de aço em 25% e em 15% para o alumínio. Essa decisão deve impactar o fluxo comercial entre os 2 países.

Só para ilustrar, a China é o maior produtor mundial desses 2 produtos.

Não bastasse essa decisão de tarifar, na última quinta-feira os EUA votaram a chacoalhar as estruturas.

Trump anunciou um novo pacote de tarifação, dessa vez para produtos de origem chinesa e os produtos serão conhecidos nas próximas semanas. A decisão de Trump é tarifar produtos chineses na ordem de 50 a 60 bilhões de dólares.

Essa segunda onda não passou em brancas nuvens e depois de a Comunidade européia alertar os Estados Unidos em aplicar alíquotas semelhantes para vários produtos, inclusive Milho, foi a vez de a China, através do Ministério do Comércio manifestar sua posição de contra ataque com a ameaça de levar os EUA à OMC e taxar produtos americanos como vinho, carne de porco e alumínio. E foi além,  os chineses alertaram para a possibilidade de taxação de outros 128 produtos de origem americana.

Embora para alguns analistas a resposta da China tenha sido “contida”, o governo chinês já advertiu que prepara taxação em mais produtos  norte americanos. Foi um toma lá, dá cá!

A mim parece pouco viável, para não dizer inteligente ou estrategista que a China impute tarifação na compra da Soja. A dependência dos chineses da soja dos EUA é alta e nesse momento da história não pode ser totalmente reposta com a Soja da América do Sul.

Mesmo com o Brasil nos campos em fase final de colheita de uma super safra, não haveria espaço para direcionar todo o saldo do volume não comercializado até agora à China. E nesse momento de grave seca na Argentina, que tradicionalmente exporta derivados de soja, os nosso vizinhos hermanos não poderiam suprir o saldo que os chineses necessitam.

Mas isso não significa que a China ficará passiva. O país tem algumas cartas na mão e uma delas se usada poderia forçar um recuo dos EUA.

Assumindo a linha de não entendimento entre os 2  países, o mercado de commodities poderia ser pego de surpresa com anúncios de cancelamentos em série de compras já realizadas e ainda não embarcadas. Ou poderiam fazer uma troca de origem em contratos que permitam essa cláusula. Ou seja, trocar embarques de uma Trading X ou Y via portos dos EUA para as mesmas empresas X ou Y só que via portos sul-americanos. Isso não seria bom para os produtores norte americanos e também para nós, sul americanos. Um anúncio dessa natureza poderia impactar muito mais nos preços na Bolsa que a tarifação do grão em si.

Caso isso de fato aconteça, num primeiro momento, os preços em bolsa poderiam cair muito para depois se ajustarem aqui no Brasil com uma alta nos prêmios. O anúncio de retaliação da China motivou já na sessão noturna da sexta feira, venda pesada por parte de alguns fundos de investimentos de pequeno e médio porte, liquidação essa que continuou durante boa parte do pregão da manhã de sexta.

Esse movimento de vendas levou a queda dos preços para a importante “área” de suporte de US$ 10,10 no contrato de soja maio. Nessa região próxima aos US$ 10,10, fundos maiores, iniciaram a defesa de posição comprada colocando novas ordens de compra e os preços reagiram.

Boa parte desse movimento de recuperação na sexta contou com a ajudinha do próprio EUA – A assinatura da Lei Orçamentária nos EUA. Com a aprovação, o mercado financeiro respirou mais aliviado. Tal regulamento permite o financiamento do Governo Federal até o final do Ano Fiscal de 2018. Com isso a tão temida paralisação geral dos serviços federais foi evitada. Caso contrário teria sido o terceiro shutdown do ano!

Durante essa madrugada de hoje, os ânimos pareciam menos exaltados. Os fundos bem comprados direcionaram os preços para cima, num claro movimento de defesa de posição. Os fundos forçaram o movimento até testar as resistências de US$ 10,40 ( alta de 12 centavos), região que concentrou vendas de outros fundos.

Assuntos que continuarão em pauta :

• Guerra Comercial / tarifação / retaliação /cancelamentos ou outro devaneio qualquer de Trump

• Clima na Argentina – Seca e queda de Produção

• Clima no Brasil – Chuvas atrapalhando a evolução de colheita ?

• Cenário Político Brasil ( STF – HC – Lula e afins)

• Demanda Chinesa. A semana passada não registrou venda extra de soja.  Mas hoje já houve anúncio de venda de 132 mil de soja para país desconhecido que pode e geralmente é a China. Hoje também a Espanha comprou 120 mil tons de farelo de soja.

Assuntos que entrarão em pauta:

• AcreagemRelatório de Intenção de Plantio ou mais conhecido pelos íntimos como Acreagem. Dia 30 o USDA divulgará a primeira projeção de área de plantio da próxima temporada. A semana estará repleta de números e será perfeita para as especulações. Não é novidade se já escutarmos sobre aumento de área. A rentabilidade da soja versus milho é maior e o movimento de alta anterior motivou vendas antecipadas dos produtores norte americanos em Bolsa.

• Clima nos EUA – Chuvas em várias regiões produtoras. Evolução de plantio de milho e soja.

 

 

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