25 de julho de 2024

Estados Unidos & China – Estaria o acordo ameaçado?

Pois é minha gente, entra semana, sai semana e a conversa nos bastidores de Chicago é sempre a mesma: Guerra Comercial Estados Unidos e China! 

Ora o mercado processa o tom negativo sobre o possível acordo, ora processa o positivo e ora processa na mesma semana ambos. Situação que inclusive estamos presenciando nessa semana.

Nas duas últimas semanas o viés processado era altista. O mercado antecipava com certa euforia até, que os 2 dirigentes tinham retomado as negociações e estariam prontos para no final do mês de Novembro, início de Dezembro, durante as reuniões do G20, anunciar oficialmente um acordo e com isso dar um ponto final nas várias dúvidas sobre a retomada do crescimento econômico mundial em 2019.

Essa percepção inclusive foi uma das justificativas para a queda dos prêmios da soja brasileira nos embarques em 2019.

Como nem tudo no comércio internacional é fácil e previsível, os Governos Trump e Xi Jinping vem encontrando entraves e quaisquer comentários, felizes ou infelizes podem definir uma negociação, para o bem e para o mal.

E nesse ponto o “mundo todinho” hoje está cansado de saber que o presidente dos Estados Unidos adora expressar suas opiniões e pensamentos e defender seus posicionamentos ( muitas vezes radicais) via twitter. e na maioria das vezes são justamente esses twitters que dão o tom que os mercados financeiros farão.

É como uma espécie de canto da sereia. O mesmo mundo que ri e critica os twitters de Trump é aquele que se aproveita das falas para fazer dinheiro. Essa é a famosa globalidade!

Analisando o óbvio, mas quem é que não imagina que os preços subiriam no caso de um final feliz entre os 2 países? Quem não imagina que Brasil e Argentina serão os 2 países mais beneficiados no caso de um não acordo?

Muito tem se falado que dentro desse contexto de um acordo feliz entre China e Estados Unidos, o país asiático, registraria uma demanda menor pela soja de origem norte americana.

Seria fato a China ter ao longo desses 7 meses de Guerra Comercial, se antecipado e buscado por proteção com compras extras no Brasil, Argentina e Canadá? E se sim, qual teria sido o volume?

Quanto a China estaria incentivando seu produtor a semear mais soja que milho nessa temporada? Quais seriam os estoques reais de soja naquele país? Aqui vale a observação que os estoques de milho lá na China foram atualizados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos  – USDA no reporte mensal de novembro em razão da China ter revisado para cima, e bota para cima os estoques do cereal.

E porquê não arriscar a dizer que isso também aconteceria com a soja?

Agora voltemos aos ponto que a China tenha se protegido com compras extras e que não precise comprar tanta soja assim dos Estados Unidos e use isso para baixar ainda mais os prêmios lá nos EUA e cá na América do Sul, chegamos a uma conclusão que seriamos todos prejudicados.

São muitos os questionamentos, muitas  são as dúvidas mas precisamos de certo tempo para elucidar o cenário mais próximo.

O G20 está logo aí. Serão mais 3 a 4 dias e aí então teremos um norte, ou pelo menos mais um.

Os produtores norte americanos mesmo podendo se credenciar para o plano de incentivo do Governo, preferem vender a soja física até dezembro. Sazonalmente o produtor dos EUA prefere, por razões fiscais, não vender soja em Dezembro e sim o milho, mas esse ano teríamos uma perfil diferente.

Enquanto isso, aqui na América do Sul, os produtores do Brasil e da Argentina fazem seu dever de casa ao aplicar tecnologia necessária e ao anteciparam o plantio de uma safra que tem tudo pra ser recorde no Brasil e grande na Argentina. Talvez a minha ressalva seria o fato do Brasil ter intensificado tanto os trabalhos para tentar ganhar no premio de uma safra precoce que possa ter concentrado demais a safra e ser prejudicado em caso de alguma adversidade climática. Mas Deus nos livre desse cenário, não é mesmo?

Nos mapas climáticos ao contrário do que se projetava lá em agosto/setembro, são as chuvas que estão prejudicando o tratamento e controle das plantas e ameaçam o potencial da safra. Nesse ponto hoje muito se questiona sobre a safra 2018/2019 poder registrar um aumento importante nos casos de ferrugem asiática.

Como citei acima, nos próximos dias teremos a chave para os preços da soja no curto e médio prazos. Até mesmo porque nada é tão óbvio assim e afinal das contas, em 20 minutos tudo pode mudar! 🙂 🙂 🙂 🙂 🙂 🙂

Um forte abraço

Andrea Cordeiro

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